quinta-feira, maio 25, 2006

Há 4 anos... (continuação ou post muuuuiiiitoooo looongooo!)

Depois de uma noite em que quase não dormi na sala de partos
Incomodada, sozinha, cheia de frio e com o barulho do CTG
De manhã apareceu a médica que me tinha internado para ver a evolução e não havia evolução nenhuma, mantinha 1 cm de dilatação e as contracções eram muito esporádicas e não dolorosas. A manter-se este cenário deveriam mandar-me para casa à tarde.
Telefonei logo ao papá a avisar que à tarde deveria ir para casa. Mais tarde levou-me o pequeno-almoço e andámos a passear pelos corredores do hospital a ver as pessoas que apareciam nas urgências.

Mudaram-me para uma ala do hospital onde estão as grávidas a tentar manter os seus filhotes que querem nascer antes do tempo. Sentia-me mal com a minha grande barriga naquele quarto com mais duas raparigas cuja pequena barriga já lhes estava a dar tanto trabalho para manter (penso que não teriam mais de 20-25 semanas).

Ainda nessa manhã começou a sair o rolhão mucoso e eu comecei logo a pensar que já não ia para casa. O papá trouxe-me o almoço e consegui mudar para um quarto individual depois de muito explicar às enfermeiras que as outras raparigas deviam sentir-se nervosas com a minha presença (boa desculpa?)

Quando o médico apareceu para me observar fiquei feliz por ver o meu médico que estava de serviço naquele sábado e até ao dia seguinte. Fiquei muito mais tranquila. Sim, é um outro descanso não ter de responder a inúmeras perguntas porque aquele médico já sabia a minha/nossa história!
Fez-me um grande sorriso: “Então, por cá?!...”
Ao que eu lhe respondi: “Bem, eu queria ir ver o jogo... será que dá?”
Observação, continuava 1 cm de dilatação, mais uma vez ligada ao CTG e o registo de contracções irregulares que entretanto tinham voltado aliado à perda do rolhão, o colo do útero amolecido e um “não me parece que vá sair daqui para lado nenhum”

O meu irmão T. nasceu a 25 de Maio (completa hoje 19 aninhos! Parabéns!), assim como a minha afilhada C. (Parabéns!) e eu não queria que o Daniel nascesse neste dia e fiquei um pouco triste, queria que ele tivesse o seu dia, não gostava que tivesse de ter de partilhar o dia de anos com outras pessoas da família. Cada maluco com a sua mania...

Tomei banho e lavei cabelo e escandalizei toda a gente porque as chinesas não fazem nada dessas coisas que pode prejudicar o bebé!!! Demorei imenso tempo a tomar banho e a lavar o cabelo, apesar da ajuda do papá. O médico tinha-me recomendado que andasse muito pelo que andei pelo corredor do hospital para trás e para a frente com o papá, parando a cada contracção mais forte, mas nada de insuportável.

A minha amiga G. chegava de Portugal nesse dia, tínhamos trabalhado juntas quando eu cheguei a Macau e ela queria ver-me grávida. Chegou ao hospital com a madrinha do Daniel por volta das 15 horas com um grande sorriso de felicidade, cheia de energia, quando as dores já me começavam a ameaçar mais seriamente. Continuava calma e bem disposta mas um pouco cansada física e mentalmente (há duas noites que não dormia pois na noite antes de ir para o hospital já não dormi nada com umas “moínhas”).

Por volta das 16 horas estava literalmente a ficar aflita com dores e o papá chamou a enfermeira que me ligou ao CTG e verificou que as contracções eram regulares e algumas bastante fortes (eu não precisava do CTG para saber isto!) e chamou o (meu) médico.

Depois de me voltar a observar verificou que estava com 2 dedos (ou 2 cm) de dilatação e parecia que as coisas estavam a começar a desenvolver-se. Perguntou-me se queria continuar no quarto ou ir para a sala de partos mas que a opção era minha e que o podia chamar a qualquer momento se decidisse ir mais tarde para a sala de partos.

Fiquei no quarto com o papá. As minhas amigas foram para o estádio ver o jogo que começava às 16 h. Fiquei a ver o jogo na televisão com o papá, cada vez com mais dores.
A primeira parte do jogo vi muito mal, sempre com muitas contracções. No intervalo o médico voltou lá e perguntou: “Então, vamos?” Mas eu queria ver o jogo (bem, ver, ver acho que não vi nada, mas enfim....) e disse-lhe para ir ver a segunda parte do jogo e voltar depois (e que contente ele ficou). Na segunda parte já não me aguentava com dores e acho que nem abri os olhos, sempre a gemer baixinho.

Já não conseguia andar quando o jogo acabou e levaram-me de cadeira de rodas para a sala de partos. Deveriam ser perto das 22 horas. Puseram-me a soro, muito mal posto e doía-me que nem vos conto, fiquei com a mão negra ao fim de duas horas.

Fiquei lá a ser monitorizada pelo CTG, com o papá sempre a fazer-me festinhas na cabeça. Deram-me uma injecção que disseram que era para acalmar as dores porque as contracções eram muito fortes e a dilatação continuava em dois dedos. Não me fez qualquer efeito e entretanto descontrolei-me com a respiração, que fazia por intuição pois não frequentei qualquer curso de preparação para o parto (nem sei se há aqui em Macau).

Puseram-me uma máscara de oxigénio que me irritava de tal modo que tinha de a retirar de vez em quando para respirar. Por volta das onze eu achava que as dores estavam insuportáveis e chamei pelo médico que me observou e disse que tinha 3 dedos de dilatação e que talvez não fosse má ideia quando chegasse aos 4 dedos levar a epidural. Concordei imediatamente com ele (nunca tomei uma decisão tão rápida na minha vida!) pois estava cheia de dores, cansada, irritada e a achar que estava a demorar muito tempo.

O médico foi à procura do anestesista e uma enfermeira que de vez em quando me fazia festinhas na cabeça e me tentava acalmar. A história da máscara de oxigénio e de o bebé poder estar em sofrimento começou a preocupar-me e junto com as dores eu já só gritava com eles para se despacharem, como se dependesse deles. A simpática da enfermeira teve a triste ideia de me fazer uma festinha na mão que tinha o soro e eu gritei logo com ela para não me mexer que já não sabia onde me doía mais. Ela viu a mão a ficar negra e mudou-me o soro para o braço.

De vez em quando lembrava-me que as horas estavam a passar e gritava ao papá: “Que horas são? Já passa da meia-noite?” Estava cheia de dores e queria que “a coisa” se despachasse, mas queria que ele nascesse depois da meia-noite! De tanto perguntar: “Que horas são? Já passa da meia-noite?” as enfermeiras e o médico começaram a achar curioso e perguntaram ao papá o que eu estava a perguntar e porque perguntava tantas vezes o mesmo. Ainda acharam piada eu não querer que o Daniel nascesse no mesmo dia do meu irmão T. E da minha prima e afilhada C.
Lembra-me de por volta das 23:40 o papá me responder: “Já falta pouco” e eu me sentir muito melhor, apesar das dores que não abrandaram. E à meis-noite o papá disse-me: “Pronto, já não nasce no dia 25.” Respirei de alívio e sorri, um sorriso destorcido pelas dores e muito amarelo e disse: “Então, agora despacha-te!”

E amanhã há mais...



40 comentários:

Céu Estrelado disse...

Não tiveste nada uma hora pequenina como se costuma dizer! O que tu passaste, ainda bem que tiveste sempre o Papá ao teu lado, quanto mais não fosse para te dizer as horas! ehehehe
Amanhâ venho espreitar a continuação :)
Bjos

Nina disse...

Bem...que odisseia, esse parto...e ainda não terminou ( dp virei ler a continuação)...não pude deixar de sorrir com a história do dia...tu és incrível: com tantas dores e ainda conseguiste esboçar um sorriso qd o teu marido te disse que já não nasceria naquele dia.Lol...Acho que tens razão, sabes? O aniversário é realmente um dia importante e deveria ser único: Mil beijinhos

mãe tataruga disse...

Bem Miga, tanto sofrimento!!!
O que nós passamos para ser Mães, o que vale é que compensa.
E muito!!!!
Beijinhos

sorrisos da minha alma disse...

:-) apesar das dores o fotebol prevaleceu heheh que grande mulher.

guga disse...

Bolas, que isto durou mesmo 1 eternidade.

bjs Sandra

RitaS disse...

Engraçado como uma mãe nunca esquece estes pormenores. Durante anos a fio, nos meus aniversários a minha relatou-me o meu parto. Eu gostava de ouvir, claro!
Beijocas grandes e parabéns!

Tânia disse...

A eliana nas ceu no mesmo dia que eu, uns anitos depois claro está!

Beijinhos

Sandra disse...

Xi, parto mais comprido, mas no meio de tudo não parei de sorrir, gostas de futebol ao que parece tanto como eu, e achei graça á tua preocupação pelas horas, lol..

:))
bjs
Sandra

london girl disse...

Adorei a historia, foi emocionante...Fico a espera anciosamente pela continuacao, nunca pensei nisso mas o meu parto tambem dava uma historia ja que demorou 12 horas..lol...

bjs

Filipa disse...

Bam a tua hora nao foi nada pekenina!!
Ate eu fikei cançada;)
Parabens ao teu mano T e atua afilhada!!
Espero que a minha historia seja mais curta :P
Bjokas

Manela disse...

Até estou cansada. Que dia tão longo. E o pior é que ainda não acabou.

Bjs

veliam disse...

Bem mamã passaste um bom bocado para conhecer o teu Daniel, mas isto não acaba por aqui, pois não?

bjs

LP disse...

Que parto looongo!

Parabéns ao mano e à afilhada (continuo amanhã)

alexandrachumbo disse...

sinceridade acima de tudo... não tenho tempo agora para ler o teu post, tenho os minutos contados... mas vou voltar! beijos.

Piquinota disse...

Mas que parto longo e doloroso!!:(

Parabéns ao teu mano e à afilhada!:)

Jinhos

Ana Lucia disse...

Ai linda, tanto tempo!!!! Muitos parabéns ao teu mano e À tua afilhada!
Muitos beijinhos

Margarida Atheling disse...

Não foi muito fácil...! Mas o resultado foi excelente! :)

Beijinhos

Luciana disse...

Ainda dizem que as mulheres são o sexo fraco!! Chiça penico!! Parebéns pela tua coragem e felicidades aos aniverariantes.

Dani disse...

Eui fico cheio de dores, só de ler-te! :) Embora seja impossível saber qual é a sensação, claro.

Beijinhos

Carla Iglesias disse...

Então Sandra?
Isso não se faz..agora que eu estava aqui toda entretida a ler a tua história ,acaba assim sem cenas dos próximos capitulos!
Que chato! Fazes-me esperar até amanhã para ler o resto? :-(
Bjos
Carla

Filipa disse...

Eu so sei o que vou levar ao casorio do meu mano pk a noiva vai levar 3 damas e eu sou uma delas... se nao ainda tava as aranhas...

Grilinha disse...

Ai, eu só como a outra que fica cheia de dores só de ter...ainda por cima continua, eh, eh... Beijos

Fátima e Pituquinha disse...

Obigada pela visita.
O teu blg está muito giro.
Os teus pimpolhos são lindissimos!

Beijinhos
Fátima e Carolina

Nocas disse...

adoro relatos de partos!!!axo muito fixe estas partilhas de experiências!!!beijinhos grandes!!!és uma mulher forte!eu ainda digo que tive uma hora grande...

Mãe Frenética disse...

Que nervos!!! :)))

(pq é q não querias q nascesse no dia 25??)

Mãe Frenética disse...

Esquece a minha pergunta de cima! Tinha saltado o paragrafo do aniversário do teu irmão! :))

Luz de Estrelas disse...

Mandei-te um e- mail. Sou a estrelinha. Lol. Estou undercover. Depois venho comentar-te, sim?

bolacha disse...

uhmmm...
explica-me essa das gravidas chinesas nao lavarem a cabeça... durante o trablho de parto?
Nunca tinha ouvido tal coisa...
2 dias de trabalho de parto, tadinha de ti
beijos

Loira disse...

Pelos vistos aí, em Macau, já é dia 25!!! Parabéns pelo teu Daniel e um beijinho enorme!

Bem Me Queres disse...

Isso é que foi um parto! Grande mulher :)))
Bjs docinhos
Cláudia

Luísa disse...

Adoro ler os relatos de parto e estou a adorar o teu.
Dois dias em trabalho de parto!!!... bolas... eu tive seis horas e já achei imenso, imagino se fossem dois dias...
Mulher corajosa que tu és :)
beijocas

RuteAlmeida disse...

Bem...até eu tou cansada! Foi uma hora gigante a tua!Mas o que interessa é que no fim de tanto sofrimento tiveste a melhor recompensa que pode haver ;b

Jokinhas

eu disse...

Credo...Essa hora de pequenita teve pouco. Mas as chinesas não lavam o cabelo quando estão grávidas???
E as enfermeiras falavam contigo em chenês?
Bjs

eu disse...

E parabens ao Daniel e aos papás. Bjs

Sara MM disse...

Muito longo e muito emocionante... acabei por ler tudinho :o)
Deve ser bom recordares tudo isso.. mas.. afinal o teu marido fala que língua contigo?!!?

BJss

Rita disse...

Antes demais, muitos Parabéns.

Agora foste uma querida, até mandaste o médico acabar de ver o jogo.

Isso foi mesmo longo.

Jinhos

Rita

Mãe Frenética disse...

PARABÉNS!!!

(fui a primeira, fui???) :))

Carla & Repolha disse...

leio tuuuuudo amanhã, mas agora

PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!


Frenética, eu bem disse que andava atrás de ti LOL

Ana Santos disse...

Muitos parabéns para o Daniel pelos seus 4 aninhos.
tou a gostar de ler o teu relato do teu 1º parto.
O meu rolhão mucoso caiu mais ou menos uma semana antes do tesourinho nascer.
Mas aí me Macau já vão para a sala d eparto só com um cm de dilatação? Falo porque eu quando dei entrada no hospital para o tesourinho nascer tinha 2 dedos e queriam que eu voltasse mais tarde, mas como entretanto as águas rebentaram fiquei internada, mas tiveram que induzir o parto com oxcitina pois nao passava dos 2 dedos.
Beijinhos
ana e tesourinho + anjinho

Manela disse...

Isso é que foi...Eu só tive mais tempo da primeira. Mas ela nasceu e era tão linda, tão bonequinha que me esqueci as dores, que estava a ser cosida e todas essas tretas. No segundo foi tão rápido (comecei com a primeira contracção às 11.00 e ele nasceu às 14.00) que disse logo que se um dia viesse a ter o terceiro assim que começasse com contrações tinha que me despachar senão arriscava-me a que nascesse no caminho. Para que tal não acontecesse o primeiro sintoma (da tal terceira que já pensava que não viria pois já estava um pouco "fora de prazo", 39 anitos)foi uma ruptura na bolsa das águas que me fez ir nas calmas para o hospital. Só depois de de se confirmar que já era perigoso para a bebé e dado que já estava com 33 semanas acharam melhor provocar as contracções. 9 horas da manhã, ainda tomei um ligeiro pequeno almoço e por volta das 11 e de repente vi-me cheia de dores. 12.30 a dilatação completa (afinal tinha razão). Sala de partos e às 13.03 já cá estava fora a futura miss Macau. Afinal nào era tão pequenina como o médico pensava. 2.660kg e nem um pontinho sequer. Será que é isto que chamam o "parir de gata"? Seja como for, com mais ou menos dores, os nossos filhos são e serão sempre os nossos amores. Hoje estou particularmente feliz por um deles (o do meio, amo-te filho) e já lá vão quase 19 anos desde que o senti pela primeira vez no meu colo.
Parabéns à mamã e ao bonequinho.
Beijinhos gandes
Manela